
Saí de casa pensando em escrever sobre a sinuca de ontem, ou sobre a Copa de 2014 (sugestão da patroa). Estava muito animado. São dois assuntos que eu estou afim de escrever sobre. Nossas noites de sinuca, uns chopes e uns pastéis. Ou então a Copa, que se tudo der certo, vai ser aqui no Brasil.
Mas bastou apenas mais uma manhã no Metrô do Rio para mudar as prioridades.
Como todos sabem, as chuvas que desabaram na cidade semana passada foram responsáveis pela interdição do Túnel Rebouças. Deixa eu me corrigir, tentaram nos convencer que a culpa do desabamento foi da chuva, quando na verdade houveram erros da prefeitura e do governo do estado. Falta de investimento e obras nas áreas de risco são mais do que motivos. E o desabamento é o menor dos problemas comparados às mortes que também ocorreram. Mas como me considero um "apolítico" (existe essa palavra?) não quero ficar divagando sobre este problema.
Voltando ao que interessa, devido ao fechamento do Rebouças o trânsito na ida e volta para o Centro da Cidade está um caos. E, obviamente, acaba sobrecarregando o sistema ferroviário, ou seja, trens e metrô abarrotados de gente.
Andar feito uma sardinha enlatada não me tira do sério. Óbvio que é um tanto desconfortável, aquela sauna logo antes de ir para o trabalho, empurra daqui, empurra de lá, gritaria. Mas entendo que, tendo em vista a ridícula malha ferroviária da cidade, isso é um mal inevitável.
O que tem me tirado do sério esses dias são as pérolas que ouço.
Pego o metrô na estação São Francisco Xavier, a segunda da linha 1. A composição já veio cheia, prenúncio de viagem lotada.
É foda ir da São Francisco Xavier até a Cinelândia ouvindo gente falar merda. Putaquepariu.
Ontem eu estava cercado por três pessoas, um senhor mais velho e duas mulheres. Surreal! Como disse acima, não tenho dúvida que o governo é culpado pelo deslizamento do Rebouças e por muito mais, mas o discurso daquele senhor, em alto e bom tom era o seguinte: "... por que o governo não investe no metrô, está tudo sucateado, sem manutenção...". Acho que este senhor está desinformado. Metrô, hoje, é uma empresa privada. Ao "Metrô SA" cabe capitanear e buscar parcerias para investimento, além da manutenção da via e da frota. Ao governo cabe "apenas" o monitoramento do serviço através dos órgãos responsáveis, neste caso, a ANTF. Certamente, se o senhor não tivesse saltado na estação seguinte, a culpa no fim seria do Lula, como tudo hoje em dia.
Em seguida o comentário que mereceu o adjetivo de "Surreal". Imagine a cena: Um calor de deixar o inferno parecendo o Polo Norte, eu, de terno e gravata com mochila nas costas, sendo apertado por uma multidão. Eis que ouço a senhorita fala a seguinte frase: "... e esse povo fica empurrando, e esses homens gordos, com mochila... não deviam deixar entrar no metrô...". Sinceramente, de fato, não sei se ela olhou ao redor ao proferir tal "pérola", mas de certa forma me senti culpado pela angústia daquela senhorita. No mesmo instante pensei em pedir desculpa por ter que andar de mochila e ter o corpo avantajado, mas preferi ficar calado e torcer para que, ao sair, ela tomasse um tombo ou algo parecido para passar por um constrangimento bem grande (Deus me perdoe, mas pensei!).
Enquanto eu me controlava para ficar calado, uma outra senhora entrou na composição e, como eu, era meio "cheinha". Ao entrar, me jogou contra o ferro que o pessoal usa para se segurar e ali me manteve esmagado. Sem deixar o meu bom humor ir embora, segurei as pontas... faltava pouco para a Cinelândia. Eis que uma senhora baixinha começa a falar, achei que fosse comigo, mas não conseguia escutar. Prestei atenção e então consegui ouvir alguma coisa: "... o senhor está apertando minha mão contra o ferro, tá machucando...". Prontamente pedi desculpas, foi totalmente sem querer e devido à pressão que eu tava recebendo da outra senhora acima citada, mas ainda assim, após eu desencostar do poste, a senhora continuava reclamando. Parecia falar em outra língua, só consegui entender poucas palavras. Ela dizia algo do tipo "... assim não dá...", "... não dá pra aguentar essa situação ...". Ouvindo aquela senhora reclamar, não aguentei e, como uma metralhadora, falei alto para quem quisesse ouvir: "Desculpe senhora, desculpe senhora, desculpe senhora, desculpe senhora, desculpe senhora". Só parei de pedir desculpas quando as portas se abriram para eu saltar.
Hoje não foi diferente, mas fiquei perto de umas senhoras que embarcaram na Saens Pena. Essas tinham um complexo de superioridade de dar nojo.
Primeiro, uma delas fala sobre os "espertos que vão de outras estações para a Saens Pena, e esperam do lado do desembarque para entrar novamente, assim, vão sentados". Essa senhora, é claro, estava em pé. Deduzo que, segundo ela, somente os usuários que embarcam na Saens Pena podem têm o direito de ir sentado. Se uma pessoa se dispõe a perder tempo indo da sua estação de origem até a Saens Pena, para depois ir ao seu destino, para "se dar ao luxo" de ir sentado, é taxado de "esperto".
O pior veio depois. Segundo uma outra senhora, "...a linha que vai para a baixada deveria ser independente, pois acaba sobrecarregando a linha 1 e gerando um desconforto para quem não faz a baldeação...". Ela não faz idéia de que, desconforto mesmo, sofre aquele que têm que fazer a baldeação e pega um metrô ainda mais lotado na linha 2. Concordo que deveria sim ser independente o ramal da linha 2 (não julgando viabilidade), mas não pelos mesmos motivos que ela citou. Penso que deveria ser independente para os usuários ganharem agilidade e um pouco mais de conforto, mas de forma geral, e não para agradar à "elite suburbana".
Vir para o trabalho de metrô está sendo uma grande terapia. É necessário desenvolver fortemente sua paciência e tolerância. Como em tudo na vida, têm seu lado positivo, basta querer enxergar.
Só espero que o senhor Cesar Maia pegue um metrô na Cinelândia rumo ao Estácio às 18h antes de dizer novamente que "... o povo do Rio deveria utilizar mais o metrô para ir trabalhar..."
Mas bastou apenas mais uma manhã no Metrô do Rio para mudar as prioridades.
Como todos sabem, as chuvas que desabaram na cidade semana passada foram responsáveis pela interdição do Túnel Rebouças. Deixa eu me corrigir, tentaram nos convencer que a culpa do desabamento foi da chuva, quando na verdade houveram erros da prefeitura e do governo do estado. Falta de investimento e obras nas áreas de risco são mais do que motivos. E o desabamento é o menor dos problemas comparados às mortes que também ocorreram. Mas como me considero um "apolítico" (existe essa palavra?) não quero ficar divagando sobre este problema.
Voltando ao que interessa, devido ao fechamento do Rebouças o trânsito na ida e volta para o Centro da Cidade está um caos. E, obviamente, acaba sobrecarregando o sistema ferroviário, ou seja, trens e metrô abarrotados de gente.
Andar feito uma sardinha enlatada não me tira do sério. Óbvio que é um tanto desconfortável, aquela sauna logo antes de ir para o trabalho, empurra daqui, empurra de lá, gritaria. Mas entendo que, tendo em vista a ridícula malha ferroviária da cidade, isso é um mal inevitável.
O que tem me tirado do sério esses dias são as pérolas que ouço.
Pego o metrô na estação São Francisco Xavier, a segunda da linha 1. A composição já veio cheia, prenúncio de viagem lotada.
É foda ir da São Francisco Xavier até a Cinelândia ouvindo gente falar merda. Putaquepariu.
Ontem eu estava cercado por três pessoas, um senhor mais velho e duas mulheres. Surreal! Como disse acima, não tenho dúvida que o governo é culpado pelo deslizamento do Rebouças e por muito mais, mas o discurso daquele senhor, em alto e bom tom era o seguinte: "... por que o governo não investe no metrô, está tudo sucateado, sem manutenção...". Acho que este senhor está desinformado. Metrô, hoje, é uma empresa privada. Ao "Metrô SA" cabe capitanear e buscar parcerias para investimento, além da manutenção da via e da frota. Ao governo cabe "apenas" o monitoramento do serviço através dos órgãos responsáveis, neste caso, a ANTF. Certamente, se o senhor não tivesse saltado na estação seguinte, a culpa no fim seria do Lula, como tudo hoje em dia.
Em seguida o comentário que mereceu o adjetivo de "Surreal". Imagine a cena: Um calor de deixar o inferno parecendo o Polo Norte, eu, de terno e gravata com mochila nas costas, sendo apertado por uma multidão. Eis que ouço a senhorita fala a seguinte frase: "... e esse povo fica empurrando, e esses homens gordos, com mochila... não deviam deixar entrar no metrô...". Sinceramente, de fato, não sei se ela olhou ao redor ao proferir tal "pérola", mas de certa forma me senti culpado pela angústia daquela senhorita. No mesmo instante pensei em pedir desculpa por ter que andar de mochila e ter o corpo avantajado, mas preferi ficar calado e torcer para que, ao sair, ela tomasse um tombo ou algo parecido para passar por um constrangimento bem grande (Deus me perdoe, mas pensei!).
Enquanto eu me controlava para ficar calado, uma outra senhora entrou na composição e, como eu, era meio "cheinha". Ao entrar, me jogou contra o ferro que o pessoal usa para se segurar e ali me manteve esmagado. Sem deixar o meu bom humor ir embora, segurei as pontas... faltava pouco para a Cinelândia. Eis que uma senhora baixinha começa a falar, achei que fosse comigo, mas não conseguia escutar. Prestei atenção e então consegui ouvir alguma coisa: "... o senhor está apertando minha mão contra o ferro, tá machucando...". Prontamente pedi desculpas, foi totalmente sem querer e devido à pressão que eu tava recebendo da outra senhora acima citada, mas ainda assim, após eu desencostar do poste, a senhora continuava reclamando. Parecia falar em outra língua, só consegui entender poucas palavras. Ela dizia algo do tipo "... assim não dá...", "... não dá pra aguentar essa situação ...". Ouvindo aquela senhora reclamar, não aguentei e, como uma metralhadora, falei alto para quem quisesse ouvir: "Desculpe senhora, desculpe senhora, desculpe senhora, desculpe senhora, desculpe senhora". Só parei de pedir desculpas quando as portas se abriram para eu saltar.
Hoje não foi diferente, mas fiquei perto de umas senhoras que embarcaram na Saens Pena. Essas tinham um complexo de superioridade de dar nojo.
Primeiro, uma delas fala sobre os "espertos que vão de outras estações para a Saens Pena, e esperam do lado do desembarque para entrar novamente, assim, vão sentados". Essa senhora, é claro, estava em pé. Deduzo que, segundo ela, somente os usuários que embarcam na Saens Pena podem têm o direito de ir sentado. Se uma pessoa se dispõe a perder tempo indo da sua estação de origem até a Saens Pena, para depois ir ao seu destino, para "se dar ao luxo" de ir sentado, é taxado de "esperto".
O pior veio depois. Segundo uma outra senhora, "...a linha que vai para a baixada deveria ser independente, pois acaba sobrecarregando a linha 1 e gerando um desconforto para quem não faz a baldeação...". Ela não faz idéia de que, desconforto mesmo, sofre aquele que têm que fazer a baldeação e pega um metrô ainda mais lotado na linha 2. Concordo que deveria sim ser independente o ramal da linha 2 (não julgando viabilidade), mas não pelos mesmos motivos que ela citou. Penso que deveria ser independente para os usuários ganharem agilidade e um pouco mais de conforto, mas de forma geral, e não para agradar à "elite suburbana".
Vir para o trabalho de metrô está sendo uma grande terapia. É necessário desenvolver fortemente sua paciência e tolerância. Como em tudo na vida, têm seu lado positivo, basta querer enxergar.
Só espero que o senhor Cesar Maia pegue um metrô na Cinelândia rumo ao Estácio às 18h antes de dizer novamente que "... o povo do Rio deveria utilizar mais o metrô para ir trabalhar..."
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