Após um período de grande tristeza devido a eliminação, ou melhor, tragédia da Copa Sulamericana, tive meu amor renovado por este clube que nem sempre me enche de alegria, mas, justamente por ser O BOTAFOGO, me faz acreditar que o impossível pode acontecer.
Foi lindo este sábado. O Estádio Olímpico estava com um bom público. Eram quase 16 mil pagantes, mais os sócios torcedores (em torno de 3 ou 4 mil pessoas). O anel inferior do estádio estava quase lotado.
A torcida presente apoiava o time incondicionalmente e foi logo recompensada. Lucio Flavio, antes dos 10 minutos do primeiro tempo, acertou um chutaço de fora da área. A bola ainda beliscou o travessão, dando um susto na já acostumada cachorrada.
O Diguinho foi um leão em campo. Outro destaque foi o Renato Silva. Isso mesmo, por incrível que pareça.
O primeiro tempo terminou assim, e a torcida fez festa. No intervalo fizemos uma Ola... uma não, várias. A torcida não parou um minuto.
Logo no início do segundo tempo o Botafogo ampliou. Bela cobrança de falta do Juninho e Luciano Almeida botou pra dentro, de pé direito, após o rebote do goleiro.
A nota triste do jogo foi justamente devido ao pé direito do Luciano. Logo após fazer o gol, num lance de muita infelicidade, Luciano Almeida teve uma gravíssima lesão no tornozelo que o deixará fora do time por uns 6 meses. A cena foi muito forte, o estádio ficou perpléxo.
Dodô ainda fez o terceiro, com seu padrão de qualidade. Mas me recuso a entrar em detalhes sobre o gol desse traíra! Espero que as especulações sobre o seu destino sejam mentirosas. Que vá jogar lá pra o Japão ou pela Coréia.
Pra variar tomamos um. Não tem jeito, sempre tomamos. Mas nem me dei ao trabalho de registar esse lance. Prefiro ficar com o 3 x 0 na cabeça.
Ao fim do jogo Juninho e Diguinho jogaram suas camisas para a torcida. O Diguinho é botafoguense, não tenho dúvida. As camisas caíram logo a minha frente. A do Juninho ficou com um garoto que vendeu para um homem por 100 reais, já a do Diguinho foi prontamente vestida por um aprendiz de super-homem (o cara voou, literalmente).
Saí de alma lavada. Por essas e outras que, por mais que se queira, não dá pra negar quem você é de verdade! Só nos resta sonhar, e torcer para, um dia, o sonho se tornar realidade.
Ah... Foi o primeiro jogo que meu sobrinho, Matheus, foi. Agora vai ter que ir a todos, com direito a jogar no meu celular durante o segundo tempo... Deu certo!
Pra fechar, segue abaixo um texto criado por Tiago Taciano, da Fogo Horizonte. Foi escrito no fim do campeonato carioca, lí na época e guardei com muito carinho. É o que quero guardar do Botafogo de 2007. Sem mais delongas, segue abaixo!
"Daqui há uns 20 anos hei de chamar meu pimpolho para um bate-papo de futebol. Vou lhe falar sobre o time alvinegro de 2007, sem pestanejar começarei assim o papo: JC, Joilson, Alex, Juninho, L. Almeida, Guerreiro, Túlio, Zé, L. Flávio, JH e Dodô.
- É meu filho, este time encheu os olhos do Brasil todo. Era o saudoso Tostão aqui nas Minas escrevendo perplexo sobre nosso toque de bola. As mesas redondas imparciais se curvaram. Foi um campeonato belíssimo. Lutamos contra a Federação corrupta, acabamos duas vezes com a festa do Vasco e seu atacante marrento.
- Vencemos o Calábria, a pior arbitragem já vista por estes lados. Tínhamos uma média assombrosa de gols por partida. Dodô não perdoava, o artilheiro dos gols bonitos. JH, baixinho e rápido, jogava aberto pelas pontas, endiabrava qualquer setor defensivo. Zé Roberto era a alegria do povo, era como se Garrincha tivesse enviado 10% de sua arte para este meio-campista.
– Tome aí Zé, um pouco do que esta cachorrada gosta. E o Zé saia entortando todo mundo. Lucio Flavio, ah Lúcio Flávio, o passageiro da alegria, colocava a bola onde queria, de cabeça erguida seguia distribuindo jogo, tratava a bola de forma diferenciada, era o toque do maestro. Túlio e Leandro, guerreiros. Uma muralha que não cercava tudo porque sabiam jogar na frente, e saiam muito bem para o jogo, pagávamos esta conta levando muitos gols, mas fazíamos mais, e era isto que encantava. É a essência do futebol. Joilson, este ala era mágico. Bastava receber a bola que já entortava seu marcador, ou chamava o Zé pra uma tabela, ou sai feito uma flecha pelo meio do outro time. Luciano, vibrava feito uma criança quando tirava uma bola, cumpria seu papel como um soldado sob ordens. Juninho e Alex pareciam irmãos, se entendiam e junto com nosso jovem goleiro Julio Cesar fechava este grupo de jogadores inesquecíveis.
- Fomos campeões papai?
- É claro que fomos meu filho. É claro que fomos."
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